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Gravidez tardia e fertilidade: especialista responde dúvidas

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Dr. Carlos Alberto Petta, Coordenador do Núcleo de Reprodução Humana do Hospital Sírio-Libanês, esclarece principais pontos sobre fertilidade feminina

Desde a década de 60, o perfil das mães brasileiras tem mudado. O último censo demográfico do IBGE, realizado em 2010, demonstrou que a mulher está adiando a maternidade e construindo famílias bem menores do que de suas avós e mães. A taxa de fecundidade é sintomática: de seis filhos por mulher, em 1960, caiu para 1,9 em 2010. Atualmente, estamos próximos de países europeus, como a Suíça e a Dinamarca.

O aumento da escolarização e da participação da mulher do mercado de trabalho, é claro, são dois fatores decisivos nesta mudança. Entretanto, ainda enfrentam outros problemas da desigualdade de gênero, como a licença-paternidade de pouquíssimo tempo e a falta de compreensão das empresas contratantes.

Problema: a natureza não é generosa com as mulheres quando o assunto é fertilidade. Com o passar dos anos, inevitavelmente, os efeitos do tempo são sentidos. Felizmente, a medicina está ao lado das que sonham em ser mães. Para esclarecer todas as dúvidas, conversamos com o doutor Dr. Carlos Alberto Petta, Coordenador do Núcleo de Reprodução Humana do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo.

CLAUDIA: A partir de qual idade uma gravidez já é considerada tardia?

Dr. Carlos Alberto Petta: Não existe um consenso, o que existe são cenários diferentes. Uma gravidez pode ser tardia pelo risco de complicações – seja com o bebê ou com a mãe – ou pela questão da fertilidade da mulher. Falamos em “idade ideal” pela natureza, mas cada caso é um caso.

O risco de saúde para a grávida começa, em especial, a partir dos 40 anos, pois aumenta a probabilidade do desenvolvimento de hipertensão, diabetes e alterações genéticas. Entretanto, uma mulher de 40 anos que está em um peso saudável, que não fuma, que tem pressão arterial normal, oferece melhores condições para a gestação do que mulher de 35 com problemas de saúde pré-existentes. Vale analisar.

O que devemos ter em mente é o declínio da taxa de fertilidade feminina. A partir dos 30 anos, esse índice começa a cair lentamente. Já a partir dos 35 anos, o processo acelera e aumentam os riscos de aborto espontâneo e de alterações de saúde. Aos 37, esses fatores ganham ainda mais importância.

E a gravidez acima dos 40 anos?

Você pode engravidar depois dos 40? Pode, mas as estatísticas não estão ao seu lado. Aos 40 anos, de 40 a 50% das mulheres apresentarão dificuldades para engravidar naturalmente. Isso tem a ver com a qualidade e a quantidade dos óvulos. A menopausa, que se aproxima nesta faixa etária, nada mais é do que uma consequência do fim da reserva ovariana, pois, com o passar dos anos, essa reserva sofre quedas tanto em quantidade quanto em qualidade – uma vez que esses óvulos também envelhecem.

Algum fator pode influenciar na aceleração desta queda?

Sim. Enquanto a própria idade faz isso de forma lenta, o tabagismo ou medicamentos e tratamentos de doenças, como a quimioterapia, aceleram o processo.

Como a pílula anticoncepcional interfere na fertilidade? É mito ou verdade que seu uso contínuo pode causar infertilidade?

É mito. Este conceito não existe. A pílula apenas impede que o óvulo amadureça para a concepção, mas ele já seria perdido caso não houvesse fecundação.

Quais as opções atuais, em termos de tecnologia clínica, para mulheres que não desejam engravidar aos 30?

As técnicas evoluíram muito de dez anos para cá: conseguimos que o óvulo mantenha a mesma qualidade que tinha antes do congelamento. Por que isso é interessante? Tão importante quanto a idade da mulher é a idade de seu óvulo. Por exemplo, uma mulher de 34 anos que faz uma fertilização in vitro tem 60% de chances de engravidar. Se ela congelar os óvulos aos 34 anos, consegue manter essa porcentagem aos 40, 42 ou 43 anos. Por outro lado, com os óvulos de 40 anos, essa chance cai para 30%. Aos 45, cai pela metade e vai a 15%. Depois dos 45, a chance fica quase nula.

Quanto custa para congelar os óvulos?

Atualmente, pela tecnologia, precisamos de menos óvulos para isso. Imagine, então, algo em torno de 13 a 15 mil reais. Por razões sociais, como a ascensão da carreira ou o foco nos estudos, essa procura tem aumentado. Saber que os óvulos estão guardados para um momento futuro traz também tranquilidade emocional. Vale lembrar que ter os óvulos congelados diminui, futuramente, os custos de uma fertilização assistida.

Quem não pode ir por este caminho, por exemplo, tem outras soluções?

Para começar, essa mulher pode evitar o fumo e manter-se fisicamente bem: esses dois passos ajudarão, caso ela tenha uma gravidez mais tarde. Também é importante manter os exames ginecológicos em dia.